A alma preenche o corpo como a água preenche o copo. Toma a forma, forma-se de novo. Moldes, formas de fôrmas, brincadeiras, entrelinhas...
Um amor. Uma madrugada e palavras desconexas.
No olho o resto do lápis negro, delineando o cansaço da noite. Limitando movimentos e pensamentos, contornando o espaço e encurtando a distância.
Na boca o gosto fresco do creme dental. Ao fim o que ela de fato desejava eram aqueles beijos saudosos, recheados de volúpia com pitadas bem dosadas de paixão...
Um instante, um segundo eterno, uma saudade sem fim. Mais palavras e a total ausência de significados ou coerência naquele texto digitado às pressas.
Letra a letra, as palavras iam surgindo no velho monitor, como conta-gostas, pingando suavemente...
Mais uma dose, mais um trago. E nada parecia suavizar aquela dor.
Sem pensar, desistiu do "conta-letras", apagou as luzes e se foi.
Quando o corpo pede
A alma logo entra no ritmo.
Ando trocando horários. Preciso cuidar mais de mim.
Semana passada a garganta me derrubou. Adiei compromissos inadiáveis, posterguei coisas, pessoas e eventos.
Agora a cabeça anda a mil. Planos e metas. Será que eu consigo?
Vamos ver no que dá.
Ando trocando horários. Preciso cuidar mais de mim.
Semana passada a garganta me derrubou. Adiei compromissos inadiáveis, posterguei coisas, pessoas e eventos.
Agora a cabeça anda a mil. Planos e metas. Será que eu consigo?
Vamos ver no que dá.
Coletivo
Alcatéia.
Enxame.
Matilha.
Fa-lan-ge.
Cardume.
Ônibus.
Tarde quente e passos largos. Noto como estou fora de forma ao começar subir a passarela, atravessando a Rodovia Federal. Troco as passadas lentas e largas por passos curtos numa tentativa de andar mais rápido.
Ao longe vejo surgir o ônibus. Rapidamente, ele se aproxima da parada que encontra-se ao final da passarela que eu atravessava.
“Não vai dar tempo”, penso em voz baixa. Logo mais a frente segue um ciclista empurrando seu transporte, penso em pedir a ele que me dê uma carona até o ponto. Olho novamente na direção do ônibus, cada vez mais perto, comendo asfalto pelo longa reta da Rodovia. Num segundo instante presto atenção nas pessoas que o aguardam, não são muitas, mas se eu correr um pouco, são suficientes para que eu chegue a tempo de tomar o coletivo.
Uma a uma, vão subindo enquanto eu corro e aceno para o motorista, pedindo que me espere.
Já dentro do ônibus peço licença e atravesso a catraca. O cobrador olha e sorri.
Calor escaldante. Sinto o suor escorrer e molhar a camisa branca do uniforme. Paro de frente para uma senhora gorda. Sentada, cabelos desgrenhados, ela presta atenção em mim, como se medisse mentalmente cada centímetro meu. Abaixo a blusa que insiste em subir. “Engordei mais do que deveria”.
Conforme os pontos vão passando, as pessoas vão descendo e subindo no veículo. Um ciclo constante ritmado pela catraca alternando ao sinal de pedido para parar.
“Trrrraaaque”, mais um. “Pééééinnn” e menos dois. “Trrrraaaque”, estudantes voltando das aulas. “Pééééein”, domésticas voltando do trabalho. Mais um “pééééín” e é minha vez de descer.
Salto, confiro as horas no celular e caminho em direção ao trabalho. Comigo, só os meus pensamentos. O transporte coletivo segue seu rumo. E eu vou tentar ganhar a vida em mais um dia de trabalho.
Enxame.
Matilha.
Fa-lan-ge.
Cardume.
Ônibus.
Tarde quente e passos largos. Noto como estou fora de forma ao começar subir a passarela, atravessando a Rodovia Federal. Troco as passadas lentas e largas por passos curtos numa tentativa de andar mais rápido.
Ao longe vejo surgir o ônibus. Rapidamente, ele se aproxima da parada que encontra-se ao final da passarela que eu atravessava.
“Não vai dar tempo”, penso em voz baixa. Logo mais a frente segue um ciclista empurrando seu transporte, penso em pedir a ele que me dê uma carona até o ponto. Olho novamente na direção do ônibus, cada vez mais perto, comendo asfalto pelo longa reta da Rodovia. Num segundo instante presto atenção nas pessoas que o aguardam, não são muitas, mas se eu correr um pouco, são suficientes para que eu chegue a tempo de tomar o coletivo.
Uma a uma, vão subindo enquanto eu corro e aceno para o motorista, pedindo que me espere.
Já dentro do ônibus peço licença e atravesso a catraca. O cobrador olha e sorri.
Calor escaldante. Sinto o suor escorrer e molhar a camisa branca do uniforme. Paro de frente para uma senhora gorda. Sentada, cabelos desgrenhados, ela presta atenção em mim, como se medisse mentalmente cada centímetro meu. Abaixo a blusa que insiste em subir. “Engordei mais do que deveria”.
Conforme os pontos vão passando, as pessoas vão descendo e subindo no veículo. Um ciclo constante ritmado pela catraca alternando ao sinal de pedido para parar.
“Trrrraaaque”, mais um. “Pééééinnn” e menos dois. “Trrrraaaque”, estudantes voltando das aulas. “Pééééein”, domésticas voltando do trabalho. Mais um “pééééín” e é minha vez de descer.
Salto, confiro as horas no celular e caminho em direção ao trabalho. Comigo, só os meus pensamentos. O transporte coletivo segue seu rumo. E eu vou tentar ganhar a vida em mais um dia de trabalho.
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